Há decisões tomadas em Belo Horizonte que chegam diretamente à nossa vida: na escola pública, no atendimento de saúde, nas estradas, na cultura, na segurança, nos investimentos que chegam — ou deixam de chegar — aos nossos municípios.
E é justamente por isso que acredito que nossa região precisa estar mais presente na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Não estou falando apenas de ter alguém com endereço no interior. Representar uma região é muito mais do que isso. É conhecê-la de verdade. É conviver com suas pessoas, compreender suas dificuldades, reconhecer suas potencialidades e continuar presente quando a eleição termina.
Há algo que precisamos discutir com franqueza.
Desde os anos 1990, Guaxupé não consegue eleger para a Assembleia Legislativa um representante cuja trajetória política tenha sido construída na própria cidade. Toninho Zeitune foi eleito deputado estadual em 1994 e não se reelegeu em 1998. Desde então, já se passou praticamente uma geração.
Enquanto isso, eleição após eleição, Guaxupé entrega milhares de votos a candidatos de outros municípios.
Não há problema algum em votar em alguém de outra cidade quando essa pessoa representa aquilo em que acreditamos. Minas Gerais é uma só, e um deputado estadual representa todo o Estado.
O problema é quando nos acostumamos a acreditar que os bons candidatos precisam sempre vir de fora.
Muitos chegam durante a eleição, apresentam-se, recebem os votos da cidade e, passado o período eleitoral, deixam de fazer parte do nosso cotidiano. Depois, quatro anos mais tarde, o movimento recomeça.
Precisamos perguntar: por que Guaxupé não pode eleger alguém daqui?
Será que uma cidade com a nossa história, nossas instituições, nossas escolas, nossa produção cultural, nossa economia e tantas pessoas competentes não possui quadros capazes de representar muito bem Guaxupé — e toda a nossa região — na Assembleia?
Eu acredito que possui.
E acredito também que chegou a hora de valorizarmos essas pessoas.
Democracia não se fortalece quando os mesmos nomes e os mesmos grupos permanecem indefinidamente ocupando os espaços de poder.
Ela precisa de circulação. De novas pessoas. De novas experiências. De outras vozes.
Renovação não significa desprezar quem já contribuiu. Significa compreender que nenhum mandato deve se transformar em propriedade de alguém.
A representação política pertence à população.
Novas candidaturas obrigam a política a se renovar, trazem outras perguntas para o debate e permitem que pessoas com experiências diferentes participem das decisões.
E isso é especialmente importante quando pensamos nas mulheres.
Ainda ocupamos muito menos espaços políticos do que deveríamos. Se continuarmos escolhendo automaticamente os mesmos nomes de sempre, essa realidade dificilmente mudará.
Renovar também significa abrir espaço.
Sou de Guaxupé. Minha história foi construída aqui e em diálogo permanente com esta região.
Foi aqui que vivi grande parte da minha trajetória na educação, na cultura e no trabalho comunitário. É daqui que conheço uma realidade que muitas vezes não aparece nos grandes debates estaduais.
Porque Minas Gerais não é apenas Belo Horizonte.
Minas está nas cidades médias e pequenas. Está nas escolas do interior, nos professores que fazem muito mesmo diante das dificuldades, nos artistas que mantêm projetos culturais praticamente pela força da vontade, nas mulheres que trabalham, cuidam, empreendem e ainda encontram pouco espaço nos lugares onde as decisões são tomadas.
Está também nas associações, nas entidades, nas pequenas empresas, nas universidades, nos produtores rurais, nos trabalhadores e em tantas iniciativas locais que movimentam nossas cidades.
Um mandato estadual não deveria funcionar apenas como um caminho para trazer recursos.
Esse é um papel importante, claro. Mas representar também significa acompanhar políticas públicas, fiscalizar o orçamento, participar das decisões do Estado e fazer com que os problemas vividos aqui cheguem aos espaços onde as soluções são discutidas.
É preciso fazer o caminho de ida e volta.
Levar a região para Belo Horizonte — e trazer para a região informações, oportunidades, recursos e decisões que muitas vezes ficam distantes da população.
Quero um mandato que mantenha esse diálogo aberto.
Não quero descobrir o que uma cidade precisa somente quando chegar a época de pedir votos. Quero ouvir professores, artistas, mulheres, trabalhadores, entidades, gestores, jovens e comunidades ao longo de todo o mandato.
Porque representação, para mim, começa pela escuta.
Nossa região produz riqueza, conhecimento, cultura e trabalho. Tem universidades, escolas, empresas, agricultura, comércio, artistas, projetos sociais e uma enorme capacidade de realização.
Mas potencial também precisa de oportunidade.
Quando defendemos mais investimentos em educação, mais acesso à cultura, maior participação das mulheres ou políticas que considerem as particularidades dos municípios do interior, estamos falando também de desenvolvimento regional.
Uma jovem não deveria precisar sair da sua cidade porque todas as oportunidades estão concentradas longe dela.
Um artista não deveria abandonar seu trabalho porque os recursos culturais dificilmente chegam ao interior.
Uma professora não deveria se sentir esquecida por políticas elaboradas sem considerar a realidade da escola onde trabalha.
E uma mulher não deveria olhar para os espaços de poder e continuar encontrando tão poucas mulheres tomando decisões.
Essas questões fazem parte dos três compromissos que orientam minha candidatura: protagonismo feminino, democratização da cultura e fortalecimento contínuo da educação.
Não acredito numa política feita à distância.
E também não acredito que Guaxupé precise continuar entregando seus votos sem se perguntar por que não pode construir sua própria representação.
Temos gente capaz. Temos história. Temos conhecimento. Temos lideranças. Temos voz.
Precisamos acreditar mais na nossa própria capacidade de ocupar os espaços onde as decisões são tomadas.
Minha candidatura nasce desse pertencimento.
Quero levar para a Assembleia Legislativa a experiência que construí ao longo da vida, mas quero levar principalmente as vozes de quem vive aqui.
Não para representar somente Guaxupé, mas para partir de Guaxupé e construir uma representação de toda a nossa região.
Porque nossa região não precisa ser lembrada somente quando chega uma eleição.
Precisa estar presente onde Minas decide o seu futuro.