As mulheres são maioria entre quem escolhe os representantes de Minas Gerais. Nas eleições de 2026, 52,48% do eleitorado mineiro é feminino.
Mas basta olhar para a Assembleia Legislativa para perceber uma contradição.
Dos 77 deputados estaduais atualmente em exercício, apenas 17 são mulheres — pouco mais de 22% das cadeiras.
Somos maioria para votar.
Mas continuamos minoria onde se decide.
E é daí que nasce uma pergunta que considero necessária:
quem decide pelas mulheres?
Quando pensamos em política, às vezes imaginamos debates distantes, discursos em Belo Horizonte ou votações que pouco têm a ver com nosso cotidiano.
Não é assim.
Na Assembleia são discutidas decisões sobre orçamento público, educação, segurança, saúde, desenvolvimento econômico, cultura, funcionamento dos serviços públicos e muitas outras questões que chegam diretamente à vida das mulheres.
São decisões que encontram a professora na escola.
A trabalhadora que precisa de novas oportunidades de emprego.
A mulher que quer empreender, mas precisa de apoio.
A artista que procura financiamento para continuar produzindo.
A mãe que busca serviços públicos para os filhos.
A jovem que tenta construir seu futuro no interior.
A paciente que espera atendimento, exame ou tratamento no sistema público de saúde.
A mulher que precisa da proteção do Estado diante da violência.
Por isso, quando falamos em presença feminina na política, não estamos falando apenas de ocupar cadeiras.
Estamos falando de participar das decisões.
Durante muito tempo, as mulheres tem estado presentes na política principalmente como assunto.
Fala-se sobre elas.
Criam-se programas para elas.
Tomam-se decisões por elas.
Isso precisa mudar.
Políticas públicas para mulheres são indispensáveis, mas protagonismo feminino significa algo maior: significa que as próprias mulheres participem da definição das prioridades, da distribuição dos recursos, da elaboração das leis e da fiscalização das políticas públicas.
Em outras palavras: não basta ser assunto onde a política é feita. Precisamos estar entre aqueles que fazem a política, colocando nossos pontos de vista e sendo ouvidas.
Defender mais mulheres nos espaços de decisão não significa dizer que todas as mulheres têm as mesmas ideias.
Não têm.
Somos diferentes em nossas histórias, profissões, cidades, condições econômicas, experiências e posições políticas.
Uma mulher não representa automaticamente todas as outras apenas por ser mulher.
Mas essa diversidade é justamente parte da democracia.
Quanto mais restrito for o grupo que ocupa os espaços de poder, mais restritas também tendem a ser as experiências presentes quando as decisões são tomadas.
O que precisamos não é substituir uma uniformidade por outra.
Precisamos ampliar as vozes que participam da conversa.
E uma democracia na qual as mulheres são mais da metade do eleitorado, mas ocupam pouco mais de uma em cada cinco cadeiras da Assembleia, ainda tem um longo caminho a percorrer.
Também precisamos parar de tratar a ausência de mulheres na política como se fosse simplesmente falta de interesse.
Para chegar a uma candidatura competitiva, é preciso atravessar uma série de portas: participar das estruturas partidárias, construir redes de apoio, conseguir recursos, ganhar visibilidade, conciliar a vida pública com responsabilidades familiares e enfrentar um ambiente político que historicamente foi construído por homens e para homens.
Muitas mulheres participam intensamente de suas comunidades.
Estão nas escolas, nas associações, nos movimentos culturais, nas organizações sociais, nas empresas, nas universidades, nos conselhos e nos projetos comunitários.
Elas já exercem liderança.
O que ainda falta é transformar essa presença social em mais poder de decisão política.
Por isso escolhi o protagonismo feminino como um dos eixos centrais da minha candidatura.
E faço questão da palavra protagonismo.
Não quero pensar as mulheres apenas como pessoas que precisam ser protegidas — embora políticas de proteção sejam fundamentais.
Quero falar também de mulheres que criam, trabalham, lideram, ensinam, empreendem, produzem cultura, fazem ciência, administram, participam da comunidade e tomam decisões.
Quero discutir formação política para mulheres, participação nos espaços de poder, oportunidades econômicas, autonomia e fortalecimento das redes que permitem que mais mulheres exerçam liderança.
Porque igualdade também significa poder dizer: eu participo da decisão.
Minha resposta é simples: cada vez mais, as próprias mulheres precisam decidir.
Junto com os homens, naturalmente. Democracia não se constrói excluindo ninguém.
Mas também não se constrói deixando metade da população à margem dos lugares onde as prioridades são definidas.
As mulheres já votam.
Já trabalham.
Já sustentam famílias.
Já dirigem escolas, empresas, projetos, instituições e comunidades.
Já transformam diariamente as cidades onde vivem.
Está na hora de essa presença aparecer com muito mais força também nos lugares onde Minas decide seu futuro.
Não quero uma política que apenas fale pelas mulheres.
Quero mais mulheres com voz, voto e poder para decidir.
Mulher sabe votar — e sabe fazer política com competência e coragem.