Minas Gerais tem hoje o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com 16.377.659 pessoas aptas a votar nas eleições de 2026. Desse universo, a maioria absoluta é feminina: 52,48%. Somos nós que decidimos a eleição, mas a matemática escancara uma realidade dura na hora de governar.
Hoje, a Assembleia Legislativa tem a maior Bancada Feminina de sua história. É uma conquista, mas é impossível achar satisfatório: as mulheres ocupam apenas 17 das 77 cadeiras. Ou seja, mesmo no nosso melhor momento histórico, apenas 22,1% das vagas são femininas. Quase oito em cada dez cadeiras continuam nas mãos de homens.
A desigualdade nasce na base, nos nossos municípios. No atual mandato, apenas 68 das 853 cidades mineiras são governadas por prefeitas (7,9%). Na nossa mesorregião do Sul de Minas, o espelho é o mesmo: dos 146 municípios, apenas 12 mulheres estão no comando (8,2%).
Continuamos sendo a maioria que escolhe e a minoria que governa. O problema começa antes mesmo das urnas. Em 2026, Minas Gerais registrou 635 candidatas mulheres (35,08%) contra 1.175 homens (64,92%). Enquanto isso, o Brasil amarga a 133ª posição mundial em representação parlamentar feminina, ocupando apenas 18,1% na Câmara dos Deputados e 19,7% no Senado. E o sinal mais preocupante veio agora: o número de mulheres candidatas à Câmara caiu 24% em relação a 2022.
Representação não é apenas gênero. É território.
Quando resolvemos olhar o mapa e investigar onde estão politicamente localizadas as 17 atuais deputadas de Minas, o cenário para a nossa região exige mudança imediata. Estão assim divididas: 11 na Região Central; 2 no Alto Paranaíba; 1 no Norte; 1 no Noroeste; 1 no Centro-Oeste e 1 na Zona da Mata.
E no Sul de Minas? Nenhuma.
Falar de "base política" importa porque nascer em uma região é muito diferente de construir a vida pública nela. É preciso viver o cotidiano, conhecer os gargalos da saúde, a realidade das escolas públicas e os desafios da nossa cultura. Dos 146 municípios do Sul e Sudoeste de Minas, há apenas 11 candidaturas femininas regionalmente enraizadas. E quando aproximamos a lupa para a AMOG, o contraste grita: são dezessete municípios e uma única candidatura feminina regional à Assembleia Estadual. A minha.
Não considero isso motivo para comemoração, mas um retrato de quanto precisamos avançar. Como educadora por mais de quatro décadas, decidi que não podia lavar as mãos e apenas assistir de longe. Não apresento meu nome apenas por ser mulher, mas porque acredito que nossa região não pode ser lembrada apenas de 4 em 4 anos para exportar votos. A nossa cidade polo, Guaxupé, não elege um representante nativo para a ALMG desde a década de 1990.
Política é ação, cargo é função e o poder só é bom quando funciona como uma ponte a serviço das pessoas. Temos, agora, a possibilidade concreta de mudança. O Sul de Minas tem a oportunidade de eleger uma voz da terra. Preparada. Presente no cotidiano.
Nesta eleição, verifique: quem o prefeito ou prefeita da sua cidade está apoiando? É homem ou mulher? É daqui ou de fora?
Para ter mais Sul de Minas na Assembleia, estou aqui, pronta para o diálogo.
Valéria Marques — Deputada Estadual | 12.112 Construindo pontes, unindo pessoas, transformando realidades.